The beginning.

domingo, 12 de setembro de 2010

 


É meia noite. Estou olhando a lua, com medo, pois existe uma névoa em volta dela, e eu sinto que isto não é coisa boa. Sempre tenho pressentimentos assim, e na maioria das vezes eles estão certos. O Vento sopra um ar muito frio no meu rosto, tentando me avisar de uma catástrofe próxima. Algo na urgência daquele aviso me preocupa, não sei muito bem o quê. Talvez seja só impressão, ou então eu me enganara. Uma coisa que eu estranhei é que o chão estava quente, coisa que seria impossível com aquele vento frio de congelar qualquer chama. E, para completar, tinha a sensação de estar sendo observado. Cada movimento estava sendo vigiado, mas não via ninguém na rua, nem nas janelas de outros prédios. O vento que tentara me avisar antes, não alcançava a árvore que era colada a minha sacada. Era muita coisa estranha para uma noite só: Insônia, aquela névoa sombria, o vento, o chão, fiquei com medo e resolvi ir me deitar, mas quando eu dei as costas para a árvore, coisas mais estranhas ainda aconteceram ao mesmo tempo: um som muito agudo vindo do interior da árvore, alguém me puxou para trás e ouvi uma voz sussurrando no meu ouvido – ‘’Sua vez está chegando, prepare-se!’’
Aquilo foi a gota d’água, fechei meus olhos, corri de encontro a minha cama sem ter coragem de abrir os olhos e adormeci rapidamente. O sonho  não foi tão diferente: Havia uma menina deitada em uma espécie de mesa, em um altar, cheio de luzes negras e velas vermelhas. Atrás dessa menina, existia uma espécie de sombra, porém sabia que era mais que isto. Segurava um punhal dourado, cheio de pedras brilhantes. Ele apontava diretamente no coração da menina. E para completar, sua face. Na primeira vez que eu olhei, era apenas escuridão coberta por um gorro, mas depois que eu olhei melhor, sua pele era pálida, tinha vários desenhos tatuados pelo rosto, seus olhos eram de cores diferentes, um vermelho sangue e um dourado. Ele sorria, olhando diretamente para mim, que me fez tremer. Não tive coragem de me mexer ou falar, estava assustado demais com o cenário, a menina e a Sombra. Ainda sorrindo, falou em voz alta e seca – ‘‘Está preparado?’’ Então desceu a adaga. Acordei suado e assustado, com o eco sombrio do grito de dor da menina.

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