Durante a noite, acordo de um sonho terrível, imaginando se ela um dia voltará. Olho para as paredes e elas choram de tristeza e dor, mas há algo errado com suas lágrimas: são lágrimas negras, como a tinta que usou na sua carta de despedida, como seu coração, que se tornou negro e obscuro.
Sento na cama, pensando em quando aqueles terríveis pesadelos iriam acabar, e me deixar descansar e dormir em paz. Quando iria acabar aquele sofrimento, que me fazia acordar no meio da madrugada suando frio por causa do buraco que agora doía em meu peito, como se alguém tivesse enfiado uma lança de prata em meu peito, e deixado lá, para me ver agonizar.
Sonhava agora, com uma noite de sono sem sofrimento, um dia de alegria sem dor, e uma vida sem solidão. Desejava parar de gritar de agonia, com as mãos na cabeça, se contorcendo na cama, toda manhã, quando percebia que em minha cama havia apenas a mim e ninguém mais.
Não queria acreditar que aquilo era verdade: que você se foi, levando parte da minha vida com você. Deixando apenas a carcaça de alguém que algum dia já fora um homem feliz jogada no chão, como se fosse mais uma peça de roupa, no seu vasto armário.





